Curso Práticas de Campo: Mamíferos, Anuros, Aves e Insetos



A área ambiental é reconhecidamente diversa, e abriga diferentes campos de atuação profissional. Multidisciplinar por natureza, seu escopo abrange áreas do conhecimento tais como Biologia, Geografia, Geologia, Sociologia e Engenharia Ambiental. Profissionais de todas essas áreas são requisitados no mercado de trabalho nos setores de conservação e licenciamento ambiental.

Na graduação, a demanda por trabalhos de campo com vivências mais intensas in loco é geralmente defasada em disciplinas como Ecologia, Zoologia e Botânica. O mais comum é que tais experiências de campo sejam raras e realizadas apenas fora do âmbito curricular, seja em estágios, iniciação científica ou trabalhos paralelos. Portanto, a condução, esclarecimento e inclusão dos alunos nas práticas de campo no âmbito acadêmico podem facilitar e orientar seu desenvolvimento na sequência da graduação e na vida profissional futura.

Para marcar o lançamento oficial do site da Bocaina, estamos oferecendo, com um preço muito especial, o curso Práticas de campo: Aves, Anuros, Mamíferos e Insetos. O curso ocorrerá nos dias 8 e 9 de junho de 2013, na RPPN Santuário do Caraça.

Neste curso, o foco está voltado para a fauna. O aluno irá se familiarizar com as principais técnicas de investigação biológica em campo, com uma vivência nas disciplinas hoje cruciais para projetos de conservação, sendo aquelas que mais recebem recursos, geram o maior volume de publicações em seu campo, e que são requisitadas em virtualmente todos os estudos realizados no âmbito do licenciamento ambiental.

Para isso, a Bocaina está oferecendo uma programação de dois dias, com foco na prática, a ser conduzida por sete profissionais com experiência de mais de cinco anos na aplicação de cursos de campo: Felipe do Carmo, MSc; Lucas Perillo, MSc; Vinicius Rodrigues, Ivan Monteiro, Rafael Ferrari, Bernardo Leopoldo e Paulo Durães, MSc. Leia os depoimentos de quem já fez cursos conosco, e conheça também o currículo dos ministrantes. Aproveite e conheça mais sobre a Bocaina, navegando por nosso site!

As inscrições para o curso estão abertas até o dia 31 de maio. Garanta já a sua vaga, realizando aqui sua inscrição! Se tiver dúvidas, sinta-se à vontade, e deixe seu comentário, ou contate-nos pelo site ou pelas redes sociais.

 

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As vagas para este curso foram totalmente preenchidas, e as inscrições estão encerradas.

Se você tem interesse neste curso, faça aqui sua inscrição para a segunda edição.

Werner Carlos Augusto Bokermann (1929-1995)

Uma vida de descobertas

— Por Marcelo Bokermann* —

Werner C. A. Bokermann, filho de pais alemães, nasceu no dia 04 de julho de 1929 na cidade de Botucatu, São Paulo. Ainda criança, tinha um grande fascínio pela natureza, observando e colecionando diversos grupos de animais.

Aos 17 anos de idade, conseguiu um emprego de servente de limpeza no Museu de Zoologia da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, hoje Museu de Zoologia da USP. Após o horário de trabalho, aproveitava para apreciar as coleções do museu, bem como para se beneficiar do contato com os pesquisadores daquela instituição.

Com menos de 20 anos de idade já acompanhava a equipe do museu em diversas expedições científicas. Posteriormente, assumiu o cargo de técnico de laboratório, ficando encarregado de organizar a coleção de anfíbios, grupo ao qual se dedicou no começo de sua jornada como pesquisador.

 

 

Devido às grandes dificuldades financeiras por que passou durante boa parte de sua vida, só pôde completar seu curso superior com quase 50 anos de idade, o que o obrigou a se tornar um autodidata por excelência. Este fato contribuiu para que desenvolvesse ideias muito próprias e originais a respeito da biodiversidade de nosso país. Werner observava a natureza de maneira ampla, bem ao estilo dos naturalistas clássicos, como Darwin, Wallace e outros.

 

Sua vida foi repleta de descobertas: 68 novas espécies de anfíbios, 43 de coleópteros, 114 trabalhos publicados em Zoologia. Suas coleções particulares também merecem destaque: a herpetológica, com cerca de 60 mil exemplares, possuía vários tipos, principalmente das espécies que descrevera; e a entomológica, com seis mil exemplares. Ambas estão hoje depositadas no Museu de Zoologia do Estado de São Paulo. Também montou uma coleção ornitológica com cinco mil exemplares, a qual se encontra tombada no Museu de História Natural de Taubaté.

Mais de uma dúzia de espécies, entre peixes, anfíbios, mamíferos e aves foram descritas por outros pesquisadores, e levam seu nome como homenagem. Sua vida há de ser exemplo a inúmeras gerações, principalmente aos que se dedicam com amor e resignação ao trabalho a favor da humanidade por meio das Ciências Naturais.

 

Gentilmente cedida por Ciro Albano.

Soldadinho-do-araripe, Antilophia bokermanni, piprídeo endêmico do Ceará, batizado em homenagem ao naturalista Werner Bokermann. A espécie é classificada como “criticamente em perigo”. Foto: Ciro Albano.

 

 

 

Bokermannohyla martinsi é uma das poucas espécies de vertebrados endêmicos do Quadrilátero Ferrífero. Esta perereca, que foi descrita em 1964 pelo naturalista Werner Bokermann, com base em exemplares coletados na Serra do Caraça, habita matas de galeria de riachos encachoeirados de água limpa e oxigenada. Atualmente, a perda de seu hábitat devido à expansão urbana e às atividades de mineração são as principais ameaças à sobrevivência da espécie. Foto e legenda: Felipe Leite

 

* Marcelo Bokermann, filho de Werner, é biólogo e educador ambiental do SESC São Paulo.