Werner Carlos Augusto Bokermann (1929-1995)

Uma vida de descobertas

— Por Marcelo Bokermann* —

Werner C. A. Bokermann, filho de pais alemães, nasceu no dia 04 de julho de 1929 na cidade de Botucatu, São Paulo. Ainda criança, tinha um grande fascínio pela natureza, observando e colecionando diversos grupos de animais.

Aos 17 anos de idade, conseguiu um emprego de servente de limpeza no Museu de Zoologia da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, hoje Museu de Zoologia da USP. Após o horário de trabalho, aproveitava para apreciar as coleções do museu, bem como para se beneficiar do contato com os pesquisadores daquela instituição.

Com menos de 20 anos de idade já acompanhava a equipe do museu em diversas expedições científicas. Posteriormente, assumiu o cargo de técnico de laboratório, ficando encarregado de organizar a coleção de anfíbios, grupo ao qual se dedicou no começo de sua jornada como pesquisador.

 

 

Devido às grandes dificuldades financeiras por que passou durante boa parte de sua vida, só pôde completar seu curso superior com quase 50 anos de idade, o que o obrigou a se tornar um autodidata por excelência. Este fato contribuiu para que desenvolvesse ideias muito próprias e originais a respeito da biodiversidade de nosso país. Werner observava a natureza de maneira ampla, bem ao estilo dos naturalistas clássicos, como Darwin, Wallace e outros.

 

Sua vida foi repleta de descobertas: 68 novas espécies de anfíbios, 43 de coleópteros, 114 trabalhos publicados em Zoologia. Suas coleções particulares também merecem destaque: a herpetológica, com cerca de 60 mil exemplares, possuía vários tipos, principalmente das espécies que descrevera; e a entomológica, com seis mil exemplares. Ambas estão hoje depositadas no Museu de Zoologia do Estado de São Paulo. Também montou uma coleção ornitológica com cinco mil exemplares, a qual se encontra tombada no Museu de História Natural de Taubaté.

Mais de uma dúzia de espécies, entre peixes, anfíbios, mamíferos e aves foram descritas por outros pesquisadores, e levam seu nome como homenagem. Sua vida há de ser exemplo a inúmeras gerações, principalmente aos que se dedicam com amor e resignação ao trabalho a favor da humanidade por meio das Ciências Naturais.

 

Gentilmente cedida por Ciro Albano.

Soldadinho-do-araripe, Antilophia bokermanni, piprídeo endêmico do Ceará, batizado em homenagem ao naturalista Werner Bokermann. A espécie é classificada como “criticamente em perigo”. Foto: Ciro Albano.

 

 

 

Bokermannohyla martinsi é uma das poucas espécies de vertebrados endêmicos do Quadrilátero Ferrífero. Esta perereca, que foi descrita em 1964 pelo naturalista Werner Bokermann, com base em exemplares coletados na Serra do Caraça, habita matas de galeria de riachos encachoeirados de água limpa e oxigenada. Atualmente, a perda de seu hábitat devido à expansão urbana e às atividades de mineração são as principais ameaças à sobrevivência da espécie. Foto e legenda: Felipe Leite

 

* Marcelo Bokermann, filho de Werner, é biólogo e educador ambiental do SESC São Paulo.